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Saúde Oral12 de agosto de 2026

Verão, calor e dentes: os cuidados que fazem a diferença

Todos os verões a pergunta volta: os dentes precisam de cuidados especiais nesta altura? Prof. Doutor João Espírito Santo explica porque não são os dentes que mudam no verão — são os nossos hábitos.

Verão, calor e dentes: os cuidados que fazem a diferença

Todos os verões a pergunta volta, quase pontual: "os dentes precisam de cuidados especiais nesta altura?". A minha resposta costuma surpreender pela simplicidade.

Não, os dentes não precisam de nada de complicado no verão. O que muda — e muda bastante — são os nossos hábitos. E são esses hábitos, mais do que o calor em si, que fazem a diferença para a boca. Deixo-lhe o que costumo partilhar com quem me pergunta, sem grande cerimônia.

Porque é que o verão mexe com os dentes?

Mexe por três motivos, e nenhum deles tem que ver com os dentes ficarem "mais frágeis". Primeiro, comemos e bebemos de forma diferente: mais gelados, mais bebidas frescas e açucaradas. Segundo, saímos da rotina, e a higiene oral é uma das primeiras coisas a relaxar nas férias. Terceiro, hidratamo-nos menos do que deveríamos. Junte-se os três e o resultado é mais sensibilidade dentária e mais desgaste do esmalte pelos alimentos ácidos.

Que cuidados fazem mesmo a diferença?

Se tivesse de resumir a quatro gestos, seriam estes — e reparo que são todos ao alcance de qualquer pessoa:

**Não largue a rotina.** Férias não são férias para a escovagem. De manhã e à noite, aconteça o que acontecer. É o cuidado mais básico e o que mais rende.

**Beba água, e depois beba mais.** Além de o hidratar, a água limpa a boca e equilibra-a depois de algo doce ou ácido. É o gesto mais subestimado que conheço.

**Modere, não corte.** Não vou ser eu a dizer-lhe para não comer gelados no verão. O que peço é equilíbrio, e que não deixe o açúcar em contacto com os dentes horas a fio.

**Leve o essencial na mala.** Uma escova e uma pasta pequenas resolvem quase tudo em viagem. A prevenção, felizmente, viaja bem.

Quando é que devo preocupar-me?

Se notar uma sensibilidade que não passa, ou qualquer desconforto que se arrasta, não espere pelo fim do verão para o ver. Estes sinais são a forma que o corpo tem de nos avisar, e resolver cedo é sempre mais simples e mais barato do que resolver tarde. De resto, aproveite sem culpa — um sorriso saudável também faz parte de umas boas férias.

*Artigo da autoria do Prof. Doutor João Espírito Santo. Conteúdo informativo; não substitui uma consulta de avaliação.*

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