Escovar os dentes: os erros mais comuns que quase toda a gente faz
Escovar os dentes é o gesto de saúde mais repetido — e onde se instalam mais erros sem que ninguém os corrija. Prof. Doutor João Espírito Santo revela os deslizes mais comuns e como resolvê-los sem complicação.

Escovar os dentes é o gesto de saúde que mais repetimos na vida — e, precisamente por ser tão automático, é onde se instalam os pequenos erros que ninguém corrige.
Ao longo dos anos, percebi uma coisa curiosa: quase toda a gente escova os dentes, mas poucos o fazem sem cometer pelo menos um destes erros. E não é por falta de cuidado — é porque aprendemos a escovar em crianças e nunca mais ninguém corrigiu. Deixo-lhe os deslizes que mais vejo, e como resolvê-los sem complicação.
Escovar com mais força limpa melhor?
Não — e este é talvez o erro mais comum de todos. Escovar os dentes com força não limpa melhor; desgasta o esmalte e magoa as gengivas, que podem começar a recuar. A placa bacteriana é mole e sai com movimentos suaves. A regra que dou é simples: se ouve a escova a esfregar com força, está a escovar de mais. Pense em massajar, não em esfregar.
Quando é o pior momento para escovar?
Logo a seguir a comer ou a beber algo ácido — e muita gente faz exatamente isto, a pensar que é o mais higiénico. O problema é que o ácido amolece o esmalte por uns minutos, e escovar nesse momento acelera o desgaste. O ideal é esperar cerca de 30 minutos. Se quiser fazer algo imediato, bochechar com água já ajuda a equilibrar a boca.
Que outros erros vejo com frequência?
Há um punhado que se repete, e todos têm solução fácil:
**Escovar depressa de mais.** Dois minutos é o tempo mínimo, e a maioria das pessoas não chega lá. Cronometre uma vez e vai surpreender-se.
**Esquecer a linha da gengiva e a língua.** É onde a placa bacteriana mais se acumula — e onde a escova menos vai.
**Usar a escova até ela ficar gasta.** Uma escova de dentes com as cerdas abertas já não limpa bem. Troque-a a cada três meses, mais ou menos.
**Dispensar o fio dentário.** A escova não chega ao meio dos dentes. Sem fio dentário, fica quase metade da superfície por limpar.
Então qual é a forma certa?
Nada de complicado: uma escova macia, movimentos suaves e circulares, dois minutos, duas vezes por dia, sem esquecer a linha da gengiva, a língua e o fio dentário. Parece básico — e é. A boa notícia da higiene oral é mesmo essa: não são os aparelhos caros que fazem a diferença, é a técnica simples, feita bem e todos os dias.
*Artigo da autoria do Prof. Doutor João Espírito Santo. Conteúdo informativo; não substitui uma consulta de avaliação.*